A imigração italiana, a partir do final do século 19, em Rio dos Cedros, SC, legou às famílias de seus descendentes uma profunda vivência religiosa de cunho católico romano. A devoção a Nossa Senhora Aparecida, ícone dessa espiritualidade, assim, ganhou espaço no coração e também no território da nova cidade através de capelas, grutas e capitéis.
No bairro São José, da mesma cidade, o casal Albano Bona e Maria Nair Curi Bona, ele falecido no ano de 1999, e ela, em 2007, formaram família seguindo essa valiosa tradição. Ao final da década de 1960, um de seus filhos, José Juraci, com sete anos, acidentalmente caiu de uma árvore e ficou ao chão totalmente desacordado. Imediatamente, a mãe, aflita e confiante, recorreu ao socorro de Nossa Senhora Aparecida, suplicando-lhe que, pela sua materna intercessão, o José se levantasse. E fez promessa de construir ali uma capelinha em seu louvor se seu angustiante pedido fosse atendido. Logo em seguida, Maria Nair viu seu filho sentar-se e levantar-se, ficando sem sequela alguma.
A promessa foi cumprida com a construção deu um primeiro e pequeno oratório onde a família e os vizinhos rezavam o terço, em jubilosa gratidão pela graça alcançada.
No ano de 1972, o saudoso Pe, João Del Sale, presidiu missa, abençoando e inaugurando o novo capitel, dedicado a Nossa Senhora Aparecida. Lembra Naima, irmã do José Juraci, que nos conta essa história: “Era um dia de chuva, no mês de outubro, mês em que se celebra o dia da Mãe Aparecida”.
A partir de então, especialmente na consagrada data de 12 de outubro, as famílias se juntavam para a oração, muitas vezes, para a santa missa, no capitel. A família Bona acolhia a todos com muita atenção e alegria. Mamãe Maria Nair fazia comida, muita cuca, café, para quem vinha de mais longe. Quem quisesse contribuir com alguma oferta, aceitava-se. Quase sempre a arrecadação não chegava a cobrir as despesas. Não havia pretensão de lucro. Importava o encontro e a oração do povo. As ofertas espontâneas deixadas nas celebrações, eram repartidas entre a Comunidade São José, situada ali, pertinho, e a Matriz Imaculada Conceição, no Centro da cidade.
Nos inícios da década de 1980, o capitel foi ampliado e melhorado, sempre às custas da devota e agradecida família, e com o intuito de acolher e incentivar os devotos ao louvor, à confiança na Mãe Aparecida.
Aumentava cada vez mais a participação de fiéis de perto e de mais longe. Houve ocasião de reunirem-se em torno de duas mil pessoas, conta Naima. Muitos chegavam na véspera da data festiva. Acomodavam-se na casa de parentes e amigos para, no dia da celebração, estarem presentes.
No ano de 2013, o bonito capitel recebeu a visita e a bênção do bispo diocesano de Blumenau, Dom José Negri, que realizava sua visita pastoral às comunidades da Paróquia de Rio dos Cedros.
“Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o poderoso fez em mim grandes coisas” (Lc 1,48), cantou a Mãe de Jesus e nossa.
Naquele bonito recanto de Rio dos Cedros ecoa perpetuamente esse cântico, louvando ao triúno Deus por sua misericórdia para com todos nós, seu amados filhos e filhas, e exaltando a mulher escolhida para ser a corredentora do gênero humano, a Mãe e Rainha do Brasil.
Pe. Raul Kestring
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